As aulas da manhã são ótimas para se dormir, e quando se sabe as formas certas de esconder que se está dormindo, já dá pra garantir sete minutos de sono. A clássica mão sobre os olhos é a preferida de Avery, mesmo que alguns professores já conheçam isso muito bem e fiquem praticamente em cima do aluno que o faz, mas ninguém pode culpar a morena de ter dormido um pouco na aula de filosofia - sono, preguiça, fome e aula de filosofia não são as melhores combinações quando se quer evitar de ir para a diretoria.
Avery foi com passos rápidos para a cantina - a comida de lá é boa, não é como nos filmes ou nos desenhos, onde as comidas da cantina são geralmente ruins - para não pegar uma fila tão grande e também uma mesa vazia. Os intervalos são corridos para ficar procurando as pessoas, então Avery sempre deixa para falar com Faye no quarto, ou durante as aulas da manhã.
Colocou a bandeja sobre a mesa e se sentou, colocando a mochila na cadeira ao lado - é um pouco ruim quando as pessoas chegam na mesa e começam a fazer algazarra, o almoço precisa ser calmo. Abriu a garrafa de suco e começou a tomar, observando as pessoas que aos poucos lotavam a cantina. Logo voltou o olhar para a bandeja.
- Posso me sentar? - Avery olhou para a garota, não lembrava de ter visto ela - não lembra de ter visto muita gente, na verdade -, mas acenou com a cabeça e esboçou um sorriso. Tirou a mochila da cadeira e a colocou no chão. - Como você se chama? - A pergunta saiu por impulso, curiosidade sempre fala mais alto.
Continuei segurando a bandeja balançando a mão de leve. Não do tipo mal de parkinson. Mas sei lá! Mania. Voltei a olhar para ela, que continuava olhando para a bandeja dela, até que a mesma percebe que eu estou ali e tirou a mochila do banco. Abri um sorriso e assentiu com a cabeça, para que eu pudesse me sentar. Balancei a cabeça e sorri, colocando a bandeja ao lado da dela e me sentando. Olhei para ela e balancei a mão, transmitindo um “Oi”. Eu não sou muito tímida, mas eu não conhecia ela. Mas até agora ela tinha se mostrado legal o suficiente e me deixado sentar ali. Coloquei a bolsa sobre os pés e encarei a bandeja. Quando ela decidiu quebrar o silêncio. - Como você se chama? Olhei para ela.
- Jessie… Meu nome não é Jessie, é Jéssica. Mas eu odeio que me chamem assim, ás vezes Brid fala só para me irritar e meu pai para encher o saco. Então Jessie. É mais legal e mais divertido. Assim como eu! - E você? Eu não lembro dela, de aula nenhuma. Talvez tenha a visto nos corredores, mas minha memória é falha. Peguei o copo de refrigerante e me virei para ela, cruzando as pernas. - Faz que aulas!? Falei dando um gole no refrigerante e comendo uma batata frita. Empurrei a caixinha das batatas pra ela. Não estava querendo forçar uma intimidade ou uma simpatia. Mas eu tenho, digamos que uma facilidade para começar a conversar.
Argh, por que ciências tem que ser tão chato? Eu não vou trabalhar com nada disso e duvido muito que, em música eu terei que saber algo sobre átomos e essas coisas… Eu acho que a gente devia aprender só o que é necessário para a nossa formação, pouparia os professores e os alunos. Todo mundo feliz! Mas o professor faz questão de querer enfiar aquela apostila na minha cara. A única coisa que eu queria na minha cara agora era um hambúrguer. Digo, na boca. Isso, estou com fome e a fome faz isso comigo.
O sinal bateu, recolhi tudo e fui guardar os livros no armário. Essas coisas pesam! Coloquei os fones de ouvido e fui direto para a cantina. Que estava mais cheia do que nunca… Parece que todos os alunos estavam ali, nem sempre é tão cheio assim. Apesar de eu estar aqui a um mês, nunca vi isso tão lotado.
Fui para a fila e esperei pela minha vez. Ainda bem que não demorou muito. Sai da sala e fui procurar algum lugar para sentar. Geralmente eu sento sozinha, ou vou para algum lugar me sentar sozinha. Nem que me paguem eu sento com a Bridget e as barbies que ela conversa. Se é que ela conversa com alguém… Estiquei o pescoço e fiquei na ponta do pé, tentando encontrar alguma mesa vaga. Mas a tentativa foi em vão. Fui andando por meio das mesas até que avistei uma no canto em que tinha só uma garota sentada. Me aproximei e tirei os fones do ouvido. - Ér… Olhei para ela, que permanecia olhando para a bandeja. - Posso me sentar? Falei segurando a bandeja com a ponta dos dedos.
5. Qual é o ranking dele na Escala Kinsey?
0 - Exclusivamente heterossexual. Jessie nunca se sentiu atraída por mulheres, já beijou uma em uma brincadeira boba, mas nada sério.
4. Quão vão é o seu personagem? Ele se acha atraente?
A Jessie não é muito vaidosa. Nunca ligou muito para isso, na verdade. Mas ela se acha bonita sim. Porém não gosta muito de se arrumar.
3. Diga uma cicatriz que o seu personagem tenha e nos conte como ele a conseguiu. Se ele não tem nenhuma, qual é o motivo?
Jessie tem alguns machucados, sempre foi muito hiperativa e atrapalhada. A mais recente foi em uma briga com o pai, quando ficou com raiva e bateu a porta do elevador com raiva e prendeu os dedos do pé em baixo da porta. Tem uma cicatriz em todos os dedos do pé esquerdo.
2. Qual é a característica física mais proeminente, chamativa, do seu personagem?
Acho que a baixa estatura. Ou os cabelos loiros bagunçados…
1. Descreva o relacionamento do seu personagem com a mãe ou o pai; ou os dois. É boa? Ruim? Ele foi mimado ou ignorado? Ele se dão bem ou não?
Jessie está longe de ter uma boa convivência com o pai. Estão sempre brigando, discutindo e reclamando um do outro. Já com a mãe, Jessie se dava muito bem, mas a mesma faleceu muito cedo. Nunca foi mimada ou ignorada, era uma criança normal, mas gosta de pensar que a irmã foi mais mimada que ela e que todo tratamento especial, era para Bridget. Atualmente, Jess não se dá bem com o pai. E foi por esse e outros motivos, que veio parar na S.A.
Ah, sim, o trabalho de música, tinha me esquecido completamente dele. Jessie era do meu grupo e fora ela eu não conhecia mais ninguém dele. Ter ela no grupo era legal, tornaria muito mais fácil de convencer o resto do grupo a tocar um rock. Sem falar que ela era ótima na bateria e isso traria muitos pontos pra gente.
Eu ia tocar piano no trabalho. Tocar piano é legal e acalma. E a musica fica completamente diferente quando tem um piano junto. – É, eu to no piano. – Respondi sorrindo. Eu me orgulhava disso. – Nós precisamos conversar sobre esse trabalho. - Eu comecei a ficar realmente animada com isso. - Nós devíamos tocar algum clássico de rock. Não sei o que o resto do grupo vai pensar, mas nós precisamos falar com eles sobre isso. O que você acha? – Comecei a imaginar como seria legal a gente tocando algum clássico do Nirvana ou do Guns.
Nunca ficava tão animada com algum trabalho a não ser que fosse de fotografia com tema livre, o que nunca acontecia, afinal vai lá saber fotos de que o pessoal levaria com tema livre, mas eu só levaria fotos lindas dos shows que eu frequento. Mas desse trabalho eu tinha gostado, se o resto do grupo for como eu e a Jessie, além de fácil, vai ser super divertido. Mal posso esperar.
– É, eu to no piano. Eu me lembro de ter visto Grace na aula de música, tocando piano. E tocava muito bem. E até então ela era a única pessoa que tinha falado comigo, que era da minha turma. Ela é a Gills. Mas disseram que ela foi embora… E também Grace era do meu grupo, o que facilitava bastante as coisas. – Nós precisamos conversar sobre esse trabalho. Ás vezes, na maioria das vezes eu não gosto de fazer trabalhos em grupo. As pessoas tem opinião muito diferentes e quase sempre eu discuto por isso, por que a minha opinião importa demais, sério mesmo. Eu meio que monopolizo, por conta disso. E esse é um traço muito parecido entre mim e a minha irmã. E isso não é bom, não é bom ter um fim como a Bridget. Você se torna uma pessoa chata e fechada para o mundo. Argh.
- Nós devíamos tocar algum clássico de rock. Não sei o que o resto do grupo vai pensar, mas nós precisamos falar com eles sobre isso. O que você acha? Que máximo! É esse tipo de pensamento que eu gosto! Grace tem totalmente o espírito da coisa… - Super concordo! Acho que trazer os clássicos é uma ideia ótima, mostra que o rock de verdade não morreu. Seria muito foda de a gente tocasse Led Zeppelin ou Whitesnake! Ou quem sabe Guns e AC/DC… Ou talvez, Nirvana!!! Comecei a me empolgar demais, minha preguiça interna de ter que me reunir com outras pessoas com gostos diferentes, sumiu por completo. - Eu acho que eles vão aprovar… Quer dizer, é música boa! Eles tem que aprovar… Ri mais uma vez. e comecei a imaginar como seria legal fazer aquela trabalho.
